Damário Dacruz

“Do artista ao homem”

Do Dacruz, o Fotógrafo da Poesia, como é chamado, nasceu em Salvador, capital be faz parte da geração dos anos 70/80 de artes, época em que os movimentos culturais no país estavam intensos e fortes, sobretudo na música, no teatro, nos filmes e nas artes plásticas. Damário é graduado em Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), pós – graduado em Comunicação e Mercado pela Universidade Salvador (UNIFACS) e Especialista em Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing de São Paulo. Como estudante universitário, Damário Dacruz  liderou vários movimentos de arte e cultura, tendo sido escolhido, na época, o melhor poeta universitário brasileiro pela Editora Convívio, de São Paulo. Além disso, lutou pela anistia política e contra a ditadura militar.

Durante sua trajetória artística, realizou dezenas de exposições na Bahia, Brasil e exterior. Foi diretor da Fundação Cultural do Estado da Bahia, Secretário Geral do Instituto Baiano de Livro. 

Dacruz, em depoimento, relata que tenta expressar em suas fotografias o verdadeiro amor que sente pela diversidade cultural entre os povos. As poesias de Damário são complementadas pela suas fotografias, assim como suas fotografias são complementadas pelas suas poesias. Apartir de 1969, Dacruz dedica-se intensamente à poesia, só em 1975 que o poeta divide o seu talento da poesia com a arte da fotografia. A característica documental alinhada a sensibilidade da arte, preenchem as imagens de Dacruz. Fotógrafo das palavras, poeta das imagens. Cachoeirano por opção encontra na cidade heróica, berço da cultura afro-baiana, a inspiração necessária para desenvolver seus trabalhos fotográficos e poéticos. Dessa forma, a importância do artista para a região do Recôncavo e em especial para Cachoeira, não é só cultural. A troca de conhecimentos existentes nas fotografias de Damário o torna, cada vez mais, um artista multifacetado reafirmando a sua preocupação em conhecer e trazer os conhecimentos de outras culturas, de outros povos para o seu ambiente.

Quem contempla as fotografias de Damário Dacruz pode (re) afirmar, de forma concreta, que captar imagens vai muito mais além do que um simples “click”. Envolve estudo, olhar além das objetivas e acima de tudo, emoção.

“Ao fotografar, crio uma ponte de ligação entre meu “eu” e os outros. Quando mostro que fotografei, amplio esta ligação. Socializo a minha individualidade. Pergunto. Respondo. Tento entender. Tento modificar. Tanto a fotografia como a poesia que realizo busco isto, e juntas (por que ambas se complementam) refletem a minha necessidade de comunicação com as pessoas e de entendimento da realidade que vivencio. Por isso não fotografo e nem poetizo apenas para fotógrafos e poetas. Importam-me uma maior participação e associação com outros homens, para que eu me torne mais humano.”

(Damário Dacruz – Correio Brasiliense, quinta-feira, 14 de maio de 1981. Título: “Damário e Fotopoemas” na UDF – Universidade do Distrito Federal)


 
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