O Poeta

Um tapa no rosto e nas mãos o livro “Espumas Flutuantes”, de Castro Alves. Assim Damário Dacruz percebeu que seu futuro seria ser poeta. Levou um tapa no rosto, dado por  seu pai, por ter pegado, sem pedir, o dinheiro do caixa da loja para comprar um livro de poesias que tanto queria.

Contrariando a vontade de seu pai de ser engenheiro, Damário sempre quis seguir uma profissão que explorasse ao máximo toda a sua criatividade. Jornalismo, Publicidade, Relações Publicas, Rádio, TV. Todos esses caminhos foram percorridos por Damário, porém apenas um seria capaz de completá-lo: a poesia. E, em 1969 começou a dedicar-se por inteiro a essa arte, geradora de toda sua sensibilidade.

Muitos poetas inspiraram Damário, dentre eles os mais significativos e preferidos: Castro Alves, Ferreira Gullar, Drummond, Pablo Neruda. Não podemos deixar de mencionar os poetas chilenos e os poetas baianos.

Observando a trajetória poética desses autores, Damário percebeu que cada um deles possuía um poema específico que fazia com que eles ficassem mais perto do povo. Dessa forma, Damário esforçou-se a fim de que fosse, também, conhecido através de um poema que falasse para o povo e pelo povo. Para ele, era necessário que a poesia fosse levada para os quatro cantos do mundo de qualquer forma, nem que fosse preciso ir às ruas gritar cada verso escrito. Foi então que surgiu a sua grande obra “Todo Risco”.

Todo Risco nasceu após vários outros poemas escritos com a mesma temática. Atingir a singularidade e a sensibilidade desse poema custou, para Damário, dois anos de trabalho. Afinal foram mais de trinta poemas escritos antes de Todo Risco. A primeira edição deste poema foi feita em castellano, no ano de 1984. Neste ano, o fotopoema “Todo Risco”  foi lançado em meio a um recital, contando com a participação de poetas chilenos e da América Latina. Com dezesseis anos de idade, em 1963, Damário ganhou o seu primeiro prêmio em poesia, na Semana do Livro Baiano – SELIBA. Na época, era um dos poucos movimentos literários existentes, criado por Hermano Gouveia. Com 23 anos, conquistou o prêmio nacional Convívio de Poesia, com os poemas “Cosméticos”, “Invento” e “Camponesa”, ganhando o título de melhor poeta universitário na época.

A caminhada de Damário estava apenas começando. Na 19ª Edição do Festival Internacional de Poesia de Cartagena, na Colômbia, Damário foi o único brasileiro que estava participando. Para ele, a poesia não tem fronteiras, não teve ficar restrita, a poesia é como um pássaro, deve sempre alçar voo, para mais distante que puder. Em 30 de novembro de 1998, o poeta completou trinta anos de arte poética. A comemoração foi feita nos Jardins da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, no Pelourinho acompanhado do grupo de teatro “Boca de Cena”.

“Segredos de Pipas”, “Rio Paraguaçu”, “GlobalizaCão”, “Jeitopratudo”, são alguns dos seus mais de quinhentos poemas, feitos em quase quarenta anos de poesia. Os três últimos poemas são os considerados preferidos do poeta. Pois, através deles Damário expressou os seus pensamentos em relação ao meio ambiente, sobre a desenfreada forma de comunicação e de informação que esse século promove e por fim a grande preocupação do poeta: a criatividade, as relações entre as pessoas e acima de tudo a sensibilidade.


 
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