“O Pouso da Palavra”

“O objetivo do ‘Pouso da Palavra’ é provocar a criatividade e investir na manutenção da arte”

(Damário Dacruz)

Início da década de noventa, logo após a enchente que ocorreu em Cachoeira, muitas pessoas não acreditavam na recuperação da cidade. A família de Damário, inclusive, achou na época que a loucura dele tinha ultrapassado os limites, quando o poeta resolveu acreditar na cidade. Enquanto muitos investiam na Linha Verde, Porto Seguro e Lençóis, por exemplo, a opção de Dacruz foi definitiva: comprar um sobrado na cidade em setembro de 1991 e criar o Pouso da Palavra.

O Pouso da Palavra era um sobrado em ruínas do século XVIII, restaurado com recursos próprios. O dinheiro investido na reforma do sobrado foi adquirido pelo poema “Todo Risco”. A repercussão do poema presenteou o poeta com esse grande espaço. Segundo Damário Dacruz, o governo nunca deu nem apoio técnico para a restauração do imóvel. Dacruz ainda afirma que a preocupação maior era em deixar o prédio como ele era, assim, o trabalho foi todo direcionado para o processo de restauração.

Restaurado o imóvel, surge mais um impasse: que nome dar àquele espaço que mais tarde se tornaria um ambiente de pura criação e grandes encontros? O nome, definitivo, só nasceu ápos quatro anos de busca. Como todo artista que vive em pleno processo criativo e de criação, Dacruz acordou com o nome na cabeça. Nascia então, o espaço que seria um ateliê de criação, e que tem a função de democratizar o bem cultural e apoiar a dedicação às artes.

“O Pouso abriga a palavra de todos que queiram se expressar. Ele nasceu para provocar a criatividade das pessoas, descobrir novos talentos e fazer o que chamo de manutenção de sonhos. Apesar de toda a automação do século XXI, continuo achando que a palavra e a sua redescoberta serão a grande novidade do novo milênio” (D.D.), assinala Dacruz. Este espaço não é só o lugar do poeta mas dos poetas e da poesia.

A dramaturga Aninha Franco, em visita à Cachoeira, chamou o Pouso da Palavra de “Oásis da palavra”. “Acho que é um espaço que tem que ser reproduzido em vários lugares. É cuidadoso com o conteúdo e a arte precisa disso. Oferece “ene” possibilidades para quem está ou não está antenado. É o que o Brasil precisa para democratizar a cultura, além de ter um cuidado estético muito grande”.

Hoje o “Pouso da Palavra” é uma galeria de arte, um espaço para tomar um bom café, um ambiente destinado a exibir, permanentemente, mostras de trabalho do próprio Dacruz, enfim, o lugar de levantar vôo das expressões artísticas. Esse espaço foi uma das maiores criações de Damário. É o lugar que a ele foi permitido “pousar” suas artes e repousar.


 
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